O maior acordo da história do UFC muda as regras do jogo

Quando o UFC anunciou o contrato com a Paramount, a minha primeira reacção não foi sobre televisão – foi sobre apostas. Sete mil e setecentos milhões de dólares ao longo de sete anos. Uma média de 1,1 mil milhões por ano – o dobro do que a ESPN pagava. Este não é apenas um acordo de media rights. É uma mudança estrutural que vai afectar o volume de apostas, o perfil dos apostadores, e potencialmente as próprias odds em eventos UFC.

A receita do UFC atingiu 1,502 mil milhões de dólares em 2025, com os direitos de media a representar 907,7 milhões desse total. O novo contrato com a Paramount duplica essa componente. Ariel Emanuel, CEO da TKO Group Holdings, descreveu os resultados de 2025 como reflexo de um impulso significativo – e com o acordo Paramount, esse impulso vai acelerar.

O contrato UFC-Paramount: números e estrutura

Mark Shapiro, presidente da TKO, disse-o sem rodeios: o modelo pay-per-view pertence ao passado – é um modelo ultrapassado e antiquado. E o contrato com a Paramount traduz essa convicção em números.

Sete anos, 7,7 mil milhões de dólares. O acordo substitui o modelo PPV que definiu o UFC durante décadas. Em vez de cobrar 79,99 dólares por evento – o preço do UFC 300, que gerou 615 000 compras – todos os eventos passam a estar incluídos na subscrição da Paramount+ a 12,99 dólares por mês. Eventos seleccionados vão à CBS em sinal aberto.

A estrutura de receitas do UFC em 2025 mostra o peso desta mudança: media rights já eram a componente dominante com 907,7 milhões, seguidos por parcerias e marketing com 314,3 milhões, eventos ao vivo com 232,9 milhões, e licenciamento com 47,3 milhões. O novo contrato consolida a dependência dos media rights – mas a uma escala que garante estabilidade financeira a longo prazo.

Campbell McLaren, co-fundador do UFC e CEO da Combate Global, ofereceu uma perspectiva mais crítica: o acordo é bom para todos, excepto para os lutadores. Mas Marshall Zelaznik, antigo vice-presidente executivo do UFC, contrapôs que dá aos lutadores segurança clara de que o UFC está a crescer, a gerar negócio e eventos, e que podem contar com lutas e pagamento – algo que não é verdade em todas as organizações.

O fim do modelo PPV e o acesso universal aos eventos

UFC 229 – Khabib vs McGregor em 2018 – atingiu 2,4 milhões de compras PPV, o recorde absoluto. Um evento mediano gerava entre 300 000 e 2 000 000 de compras. A partir de 2026, esses números deixam de existir enquanto métrica porque o PPV desapareceu.

A análise da LightShed Partners capturou o ponto essencial: o mais importante é que os eventos numerados deixam de estar atrás de uma paywall cara. O preço PPV do UFC era demasiado elevado. Não havia gente suficiente exposta ao melhor conteúdo do UFC.

Para os apostadores, esta mudança tem implicações directas. Mais acesso significa mais audiência. Mais audiência significa mais apostadores – incluindo apostadores casuais que nunca teriam pago 79,99 dólares para ver um evento mas que por 12,99 euros mensais assistem a tudo. Este influxo de apostadores casuais pode criar ineficiências de mercado nos primeiros anos da transição, à medida que as casas de apostas ajustam os modelos de pricing a um perfil de apostador diferente.

Em Portugal, a disponibilidade dos eventos na Paramount+ depende dos acordos regionais de distribuição. Mas a tendência global é clara: mais eventos acessíveis, mais espectadores, mais apostas. E para os apostadores que já acompanhavam o UFC na era PPV, a mudança representa um fluxo de novos adversários no mercado de apostas – apostadores menos informados, menos disciplinados, e mais susceptíveis a apostar com base na narrativa mediática em vez de dados.

Como o maior público pode afectar o volume e as odds de apostas

O mercado global de apostas em MMA e boxe foi avaliado em 3,2 mil milhões de dólares em 2024, com projecções de crescimento para mais de 6 mil milhões até 2033. O fim do PPV é um acelerador directo desse crescimento.

Quando o público de um desporto duplica, o volume de apostas não duplica – multiplica-se. Apostadores novos que descobrem o UFC através da Paramount+ e da CBS trazem dinheiro fresco para os mercados. Esse dinheiro tende a ser menos informado e mais emocional – concentrado em favoritos populares, em lutadores com maior exposição mediática, e em mercados de vencedor.

Para apostadores analíticos, isto é potencialmente vantajoso. Mais dinheiro público no lado dos favoritos populares empurra as odds dos adversários para cima – e se a tua análise identifica valor nesses adversários, as odds inflacionadas significam maior retorno. Os primeiros anos da era Paramount+ podem ser os melhores para quem aposta com dados, porque o mercado vai estar a digerir um volume de apostas com um perfil muito diferente do que existia na era PPV.

A avaliar pelo que aconteceu noutros desportos quando migraram para streaming – como o cricket na Índia ou o futebol em mercados emergentes – o crescimento do volume de apostas tende a ser exponencial nos primeiros dois a três anos, estabilizando depois a um nível significativamente mais alto. Se esse padrão se repetir no UFC, os operadores licenciados em Portugal vão investir mais nos mercados de MMA, oferecendo mais mercados secundários, odds mais competitivas, e funcionalidades de live betting mais sofisticadas.

A era do UFC atrás de uma paywall de 80 dólares acabou. O que vem a seguir – mais público, mais apostadores, mais mercados – é um cenário onde quem sabe ler dados e encontrar valor tem mais oportunidades do que alguma vez teve. A transição já começou, e os primeiros a adaptar-se vão ser os mais beneficiados.

Perguntas frequentes sobre UFC, Paramount+ e apostas

Os eventos UFC na Paramount+ estão disponíveis em Portugal?
A disponibilidade depende dos acordos regionais de distribuição da Paramount+ em Portugal. A tendência global é de acesso universal a todos os eventos UFC atraves da plataforma de streaming a 12,99 dólares mensais, mas os termos específicos para o mercado português podem variar.
O fim do PPV significa que haverá mais apostadores de UFC?
Sim, e essa é a expectativa do mercado. A remoção da barreira de preço de 79,99 dólares por evento expõe o UFC a um público significativamente maior. Historicamente, quando desportos migram para plataformas de acesso mais amplo, o volume de apostas cresce substancialmente nos primeiros anos da transição.